No RN cerca de oito veículos são roubados por dia

Cento e quarenta e seis veículos foram roubados, somente nos primeiros 17 dias desse ano, no Rio Grande do Norte. A média de oito roubos por dia preocupa autoridades de segurança pública e a população potiguar. Os dados são da Delegacia Especial de Defesa da Propriedade de Veículos e Carga (Deprov) que, segundo o titular, delegado Delmontiê Falcão, não possui estrutura adequada para investigar e solucionar os crimes. Mesmo assim, no mesmo período, os policiais conseguiram recapturar 74 carros ou motocicletas em todo Estado. Natal concentra o maior número dos crimes e os bairros de Candelária e Lagoa Nova são os preferidos pelos bandidos.

Segundo a polícia, os criminosos roubam carros e motos com três intenções: vender as peças, usar os veículos para cometer outros assaltos ou, após clonagem de algumas peças de segurança, vender os veículos. Segundo Delmontiê, nos últimos anos, houve uma mudança de comportamento dos assaltantes. “Antes o roubo era feito com a intenção somente de vender. O sujeito roubava e achava facilmente quem comprasse. Hoje, isso mudou. Porém, o grande desafio é a clonagem dos veículos que são enviados inclusive para outros Estados. E isso é feito por bandidos profissionais, que têm técnica e conhecimento”, disse.

Nos últimos dois anos, a taxa de recuperação dos veículos roubados permaneceu a mesma. Esse ano, esse índice aumentou um pouco. Em 2010, foram 975 veículos recapturados. No ano seguinte, 1.200. Entre os carros achados e entregues ao dono no ano passado, não consta o Fiesta, modelo 2009, da estudante Janaína Soares [nome fictício]. A jovem de 28 anos prefere não revelar o nome porque os dois bandidos, além do veículo, levaram documentos de identificação. “Até documentos com meu endereço eles levaram. A gente fica com medo”, disse.

O crime ocorreu no dia 26 de dezembro passado, por volta das 18h30, na rua Alexandria, bairro Lagoa Nova. Os bandidos chegaram em uma moto e uma outra dupla, também motorizada, dava cobertura à ação. Armados, anunciaram o assalto e, com tom irônico, desejaram “feliz ano novo” à Janaína e mais quatro pessoas, entre elas duas crianças, que estavam dentro do carro. “Eles chegaram, apontaram as armas e fugiram. Felizmente ninguém saiu ferido. Ficou somente o prejuízo material e o medo da violência”, informou.

Segundo Janaína, o veículo dela foi usado em outro assalto. “Alguns pessoas, inclusive da Polícia, me disseram que os ladrões usavam o carro para assaltar a agência dos Correios lá de Cidade Satélite. Soube também que, lá em Lagoa Nova, está tendo muitos assaltos e o carro foi visto por lá”, disse. Para o titular da Deprov, o número de roubos não vai diminuir mesmo com a realização de blitzen e barreiras da Polícia Militar, por exemplo. “Blitz não prende assaltante. É preciso investir na polícia judiciária, na investigação, só assim os resultados positivos irão surgir com mais firmeza”, analisou Delmontiê. O delegado não soube informar quantas pessoas foram presas nos últimos dois anos, após envolvimento com roubos de veículos. O policial confirma que, embora não tenha estatísticas, os bairros de Lagoa Nova e Candelária são os mais visados pelos assaltantes. “Lagoa Nova e Candelária lideram os casos. O bairro de Capim Macio também é bastante visado”.

Procura por seguro aumenta

O carro de Janaína Soares, roubado no fim do ano passado, ainda não foi achado. O prejuízo de R$ 23 mil poderia ter sido amenizado caso a proprietária tivesse feito um contrato com alguma seguradora. O setor cresceu no último ano. Segundo a Superintendência de Seguros Privados (Susep), as vendas de apólices de seguros, de todos os tipos, movimentaram R$ 50 bilhões, crescimento de 22%, no último semestre. O seguro de veículos lidera o ranking.

De acordo com Marcos Paiva, corretor e proprietário de uma agência de seguros, apesar desse crescimento, há espaço para evolução do setor no Brasil. “O setor movimentou somente 3% do PIB [Produto Interno Bruto] do país. O ideal, para um país desenvolvido, é que esse índice seja de pelo menos 8%”, disse. O corretor afirmou ainda que ocorre uma inversão de valores na sociedade brasileira: prefere-se proteger um carro do que um imóvel, por exemplo. “É até engraçado analisar isso. Em outros países, o cidadão primeiro pensa num seguro de vida ou de seu patrimônio: casa, comércio. No Brasil, pensa-se logo no seguro do carro”.

Quanto custa o seguro de um carro? A resposta não é fácil. As variáveis analisadas antes de chegar ao valor são muitas. As seguradoras analisam dados como: local onde o carro fica guardado durante a noite, bairro, idade do motorista, estado civil e modelo do carro. “O modelo do carro é dos fatores que pesa mais. As seguradoras sabem quais os modelos são mais roubados e isso influencia no preço do seguro”, disse Marcos.

Em média, o proprietário de um veículo novo, modelo popular, paga R$ 1.400,00 para ter a tranquilidade de, em casos de roubo ou outros sinistros, não ter outros custos. “Esse preço é o básico. Dependendo do cliente, o valor pode subir. São vários fatores analisados”, explicou Marcos. O corretor informou ainda que o número de seguros de motos é insignificante. “Acaba ficando muito caro para o proprietário da motocicleta. Há muito roubo de moto”.

Estrutura

Apenas dois delegados, dois escrivães e seis agentes são os responsáveis pela investigação e apuração dos casos de roubos de veículos nos 167 municípios do Rio Grande do Norte. Para o efetivo, apenas duas viaturas. A estrutura deficitária não é o único entrave dos policiais civis lotados na Delegacia Especial de Defesa da Propriedade de Veículos e Carga (Deprov). O acúmulo de serviço burocrático é outro problema grave. Segundo o delegado Delmontiê Falcão, os agentes acabam realizando tarefas que caberiam ao Departamento Estadual de Trânsito do Rio Grande do Norte (Detran/RN). “São vistorias em carros que tiveram algum problema. Acumulamos essa função e atrapalha o serviço”, disse. Além de efetivo, falta estrutura física e viaturas: são apenas duas. No pátio da Deprov, na zona Norte de Natal, carros e motos apreendidos estão amontoados em meio ao mato. “São veículos que aguardam decisão judicial ou que o dono não apareceu para reclamar”, informou o delegado.

Fonte: Tribuna do Norte

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