Blindagem Arquitetônica

sensação de insegurança e a ousadia cada vez maior dos criminosos, infelizmente, extrapolaram as ruas das cidades brasileiras, principalmente das grandes capitais. O medo, que já tomava conta das pessoas em trânsito, passou a invadir o cotidiano do cidadão em locais que tempos atrás eram considerados porto seguro: o próprio lar. Casos de furtos e roubos em casas e edifícios têm crescido de forma assustadora. Muros altos e alarmes não estão sendo mais suficientes para conter a criminalidade. Para tentar coibi-la, vem ganhando espaço a chamada blindagem arquitetônica.
Para ampliar a segurança, muitos edifícios estão recorrendo a esse tipo de serviço, com a blindagem de suas guaritas e até mesmo de fachadas inteiras. Com vidros à prova de balas e paredes revestidas com chapas de aço, que suportam disparos de Magnum .44, as guaritas blindadas funcionam como verdadeiros abrigos para os funcionários que fazem a segurança dos moradores e frequentadores do edifício.
“Dentro de uma guarita blindada, o funcionário tem proteção e tempo suficiente para tomar providências em caso de emergência, como acionar a polícia”, afirma Emerson Mendonça dos Santos, presidente da Câmara de Blindagem Arquitetônica da ABRABLIN.
A entidade criou essa câmara específica em 2007, quando a blindagem imobiliária ganhou força no país, fazendo crescer também o número de empresas que atuam nesse setor. Nasceu com o objetivo de agregá-las e regularizá-las. Apesar de ainda não haver uma pesquisa que quantifique o segmento, sabe-se que ele evolui cerca de 20% ao ano.
Além de regularizar as empresas que atuam no setor, uma das principais metas da Câmara é promover, em parceria com o Exército Brasileiro e a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), uma regulamentação que atenda a todas as especificações da blindagem arquitetônica, padronizando os procedimentos tanto na aplicação da proteção na parte transparente (vidros) como também na parte opaca.
A eficiência dessa ferramenta contra o crime está fazendo com que outras construções também adotem o reforço nos vidros e paredes. Além das residências e empresas, shoppings, centros comerciais e até bilheterias do metrô aderiram à blindagem como alternativa de proteção.
Outros recursos complementam a segurança
Além das guaritas e fachadas blindadas e um arsenal eletrônico, como as câmeras de monitoramento e sensores de presença espalhados por todos os cantos de edifícios residenciais e comerciais, os portões também se modificaram em nome da segurança. Ganharam diferentes formatos e acessórios que garantem mais tranqüilidade para quem está do outro lado.
Nesse universo de proteção, são cada vez mais vistas as eclusas, portões duplos com abertura e fechamento sincronizados. Se alguém sem a devida identificação ou liberação de entrada conseguir fura o primeiro bloqueio, ficará retida no segundo.
Outros acessórios, instalados nos próprios portões, reforçam a segurança dos edifícios. As chapas de aço, que impossibilitam a visão interna do prédio, os passa-pizzas, os passa-volumes para entrega de documentos e malotes, além da multiplicação e entrecruzamento de lanças são alguns dos exemplos que se destacam quando o assunto é proteção. Tudo com o objetivo de evitar o contato externo entre porteiro e quem está do lado de fora, garantindo abrigo aos funcionários, moradores ou frequentadores do local.
Para garantir total segurança, porém, esse tipo de serviço deve ser cercado de cuidados e recomendações. “Não adianta blindar uma guarita e reforçar os portões sem instruir a pessoa que trabalhará lá dentro. Ela não pode cometer erros como, por exemplo, deixar a porta aberta ou sair para falar com quem está do outro lado ou receber encomendas, inutilizando todo o aparato”, alerta Emerson.
Em aço, os portões podem ser produzidos de acordo com a necessidade do estabelecimento. “Nas indústrias, o mais usado é o passa-volumes, para a entrega de malotes e encomendas comerciais. Nos condomínios, por sua vez, a demanda maior é por passa-pizzas, onde o morador pega e paga a sua encomenda sem haver qualquer tipo de contato com o entregador”, explica o presidente da Câmara de Blindagem Arquitetônica da entidade. “Fato é que tanto empresas quanto residências estão abrindo mão da beleza de uma fachada em prol de maior segurança”, diz.
Serviço exige mão de obra especializada
Na busca constante por mais proteção, é comum que muitos moradores de São Paulo, do Rio de Janeiro e de outras capitais “blindem” suas próprias residências, reforçando as paredes com mais cimento e as janelas com películas. Tal prática, porém, apenas dá a falsa sensação de segurança, já que o simples reforço não possui resistência balística e, portanto, não garante abrigo aos residentes em caso de ataque com arma de fogo.
“A blindagem arquitetônica é um processo bem mais complexo do que simplesmente um reforço de concreto nas paredes ou de colocação de produtos nos vidros. Exige pessoal altamamente qualificado e uso de material controlado, testado e aprovado pelo Exército Brasileiro”, afirma Emerson. “Os produtos são testados para que sua resistência ao impacto de projéteis de armas de fogo de diversos calibres sejam seguramente comprovada”, diz.
Outro alerta diz respeito à oferta de algumas empresas de executar a blindagem em apenas partes isoladas. “Não existe blindagem parcial. O serviço deve ser executado não só na parte transparente (vidros), mas em toda a parte opaca, para que os moradores, aí sim, estejam integralmente protegidos”, explica o executivo da ABRABLIN.
Antes de definir quem executará o serviço de blindagem arquitetônica, a ABRABLIN sugere que o interessado avalie a empresa contatada. O processo é semelhante ao da escolha de uma blindadora automotiva. Ou seja, é preciso checar se a empresa possui Certificado de Registro (CR) junto ao Exército – sem esse documento, ela está funcionando irregularmente –, além do Título de Registro (TR) e o Relatório Técnico Experimental (ReTEx) do fabricante dos materiais a serem instalados, emitidos também pelas Forças Armadas (Exército), dizendo se estes produtos testados foram ou não aprovados.
A escolha de uma empresa séria e com know-how para esse tipo de serviço, diz Emerson, “é o que vai dar a garantia total de tranqüilidade e segurança para a família no lar blindado”.
A associação também esclarece que os mesmos cuidados devem ser obedecidos pelos condomínios que desejam blindar suas guaritas. O material utilizado é o mesmo e a necessidade de mão de obra qualificada para a execução do serviço, portanto, igualmente necessária.

Fonte: Portal da blindagem

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