Violência faz blindagem veicular virar necessidade

O que antes era considerado um artigo de luxo, está ficando cada vez mais popular entre os empresários e cidadãos da classe A. A falta de segurança e a “onda de violência” que está tomando conta das ruas de Fortaleza vêm aquecendo um mercado que, até poucos anos atrás, era considerado inacessível para a maioria das pessoas. A blindagem de veículos, instrumento utilizado pelos “ricos” para protegerem-se dos marginais urbanos, vem tornando-se produto de primeira necessidade. Entretanto, apesar de ainda ser um serviço voltado para poucos abonados financeiramente, novas tecnologias e inovações industriais tornaram a blindagem veicular um produto “menos elitista”.

De acordo com o gerente de vendas das Agências Peixoto, José Eynard Júnior, desde o começo do ano, a procura por carros blindados aumentou consideravelmente. Ele relatou que de janeiro a março, a revenda de veículos já comercializou seis automóveis revestidos (cerca de um a dois por mês). Confirmando a alta procura dos blindados, o gerente explicou que a agência está sem estes tipos de veículos para vender.

“No momento não temos nenhum carro blindado para vender. Tenho conversado com alguns amigos donos de oficinas de blindagens e eles estão relatando que as garagens estão sempre lotadas. Para se ter uma ideia, a disponibilidade de prazos de entregas está tendo que ser agendada”, salientou.

De acordo com o gerente, até quatro anos atrás, Fortaleza tinha apenas duas blindadoras, atualmente, existem cerca de seis. Eynard ressaltou que o perfil dos clientes que procuram carros blindados mudou de alguns anos para cá. Segundo ele, antigamente, apenas empresários da classe “AA” podiam bancar este produto. Hoje, pode ser observado que pessoas da classe A e B estão interessadas nos blindados, incentivados pelas facilidades de pagamento, que podem ser financiadas em até 60 meses.
“Dependendo do porte do veículo, a blindagem nova pode custar, em média, cerca de R$ 35 mil. No caso de um carro seminovo, o valor vai depreciando, tornando o serviço mais acessível para certas classes. Somos também revendedores da Land Rover. Com esses carros novos, blindamos cerca de cinco por mês. Se contarmos com outras marcas o número é bem maior. Para nós, a blindagem é normal atualmente”, relatou.

VIOLÊNCIA IMPULSIONA VENDAS
O sócio proprietário da Premium Blindagem, Vinícius Franco, confirmou o aquecimento do mercado de carros blindados. De acordo com ele, a violência urbana é o principal propulsor da alta nas vendas. O empresário contou que a oficina chega a blindar cerca de 15 carros por mês. Deste montante, Vinícius ressaltou que a maioria dos serviços é realizado em veículos novos.

De acordo com ele, todos os tipos de carros podem ser blindados, desde que estejam bem conservados. Apesar de existir vários tipos de blindagem, o empresário explicou que, no Brasil, a mais utilizada é a do tipo “3A” (proteção para qualquer tipo de armamento de mão). Vinícius destacou que um dos fatores que está corroborando para a acessibilidade do serviço é a diminuição do peso da blindagem. Atualmente, o peso é 30% menor do que há cinco anos atrás.

“Antes a blindagem só atingia um público mais seleto. Hoje, podemos ver médicos, advogados, dentistas, aposentados e profissionais liberais interessados em blindar seus carros. Isso porque a violência está muito ampla, atingindo todas as classes e não apenas os empresários. Porque a principal função de um veículo deste tipo é proteger o usuário da violência urbana”, salientou o empresário, explicando que devido à atual tecnologia da blindagem, a manutenção praticamente é inexistente, caso o proprietário siga todas as recomendações de uso.

“LUXO” QUE VALE A PENA

O empresário José Roberto da Costa Júnior contou que não se importou em gastar cerca de R$ 35 mil a mais para ter a segurança de circular com um carro blindado. Proprietário de um I-30 da marca japonesa Hyundai há seis meses, o empresário disse que se sente tranquilo sabendo que está dirigindo um veículo que oferece um pouco mais de proteção para ele e sua família. Apesar de nunca ter sofrido tentativa de assalto, José Roberto explicou que é sempre melhor prevenir o problema antes que ele aconteça.

“Graças a Deus nunca tive qualquer trauma com assaltos. Mas sabendo que Fortaleza está totalmente entregue nas mãos dos marginais, achei por bem investir em uma ferramenta de proteção como esta. Falando a verdade, não estava muito interessado em um blindado, mas o negócio foi bom e não me arrependo de ter gasto um pouco mais para ter um veículo com esta estrutura. Não acho que a blindagem, hoje, é um artigo de luxo. Acredito que é necessidade. Porém, sei que infelizmente a aquisição do serviço ainda não é para todos”, lamentou o empresário.

Fonte: Macario

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