Blindados: conheça para saber como lidar com eles

A segurança do usuário de um blindado é definida pela qualidade do serviço, que também define se o veículo será um bom negócio no mercado de usados

Não é difícil receber na oficina um veículo importado ou nacional de luxo com alguns anos de uso blindado, e nem vermos ofertas interessantes de modelos com este diferencial pelo mesmo preço, ou até mais barato do que sem. Mas até onde estas ofertas são realmente interessantes e como orientar um cliente que está disposto a adquirir um, que ‘supostamente’ irá lhe oferecer segurança em uma situação de ameaça por arma de fogo.

O termo ‘supostamente’ se deve ao fato de que para uma blindagem realmente garantir a integridade dos ocupantes de um veículo, é necessário em primeiro lugar, que a empresa que realizou o serviço, tenha realmente a consciência do risco de o veículo ser atingido por um projétil, parece óbvio, mas ao conhecer um pouco deste mundo, vimos que nem sempre existe essa preocupação.

Para auxiliar neste delicado assunto, foram consultadas duas conceituadas empresas blindadoras, a Auto Life, em Várzea Paulista, que inclusive constrói veículos para transporte de valores, sob a responsabilidade de Leandro Gedanken, e a Steel Blindagens, na zona leste de São Paulo, que também efetua manutenções e avalia veículos blindados por outras empresas, liderada por Antonio Donato Jr.. A Abrablin (Associação Brasileira de Blindagem) também forneceu informações importantes sobre a regulamentação do setor.

A vida em primeiro lugar
Quando alguém pensa em blindar ou comprar um veículo já blindado, não o faz pensando em proteger o patrimônio ou evitar ser assaltado, e sim para garantir que sairá vivo caso haja uma tentativa, situação em que a blindagem deverá assegurar a integridade física dos ocupantes. Conheça dois bons exemplos e alguns critérios importantes para avaliar uma empresa ou uma blindagem já feita.

A Auto Life possui um túnel balístico onde analisa constantemente os materiais utilizados, garantindo uma margem 30% superior às exigidas pelas normas regulamentadoras. Leandro informou que os testes são feitos nas condições ideais de velocidade do projétil, ângulo de disparo e distância do alvo, então se nessas condições o material resistir, poderá ser utilizado para proteger uma vida. “Meu patrão utiliza nossa blindagem, e eu não quero que ele tome um tiro” afirma Leandro.

Tanto a Steel quanto a Auto Life optam por utilizar manta balística feita com fios entrelaçados de fibra sintética, para proteger a lataria do carro, pois tem a mesma resistência do aço, porém muito mais leves e fáceis de aplicar. Utilizando este material, a blindagem pode chegar a ter um peso total de apenas 90 kg dependendo do veículo, duas a três vezes menos em comparação a uma blindagem feita com chapas de aço.

As mantas balísticas representaram um grande avanço no processo de blindagem, hoje já não se fala tanto em problemas ou modificações necessárias devido ao aumento de peso, mesmo assim algumas empresas continuam utilizando as chapas de aço, pois têm menor custo. A partir daí já se pode começar a avaliar um veículo blindado. Chapas de aço indicam que o veículo rodou com peso extra, por isso o desgaste da suspensão, câmbio automático e da própria estrutura foram maiores.

Para fixar a manta balística é utilizado um tipo de cola, e para garantir que a mesma poderá absorver o impacto sem descolar é preciso que seja fixada uma área de no mínimo 30 x 30 cm, assim em alguns lugares não é possível utilizá-la, como colunas de porta, recorrendo ao uso da chapa de aço. Alguns pontos estratégicos também exigem o uso das chapas, e segundo Donato, onde algumas empresas pecam, que são as proteções das maçanetas de porta, contorno dos vidros (Overlap), testera do para brisa e proteção do encosto do banco traseiro.

Donato nos apresentou diversos casos onde esses cuidados não foram tomados ou foram mal feitos. Uma empresa chegou a utilizar rebites para fixar as chapas de aço, que jamais suportariam o impacto de um projétil a 300 m/s. O mais impressionante foi o caso de um Omega que recebeu diversos disparos durante uma tentativa de seqüestro, sendo que oito deles infiltraram o habitáculo, atingindo motorista e passageiros.

“Todos os projéteis passaram por brechas deixadas pela blindadora, como a falta da testera do para brisa e o overlap dos vidros feitos com chapas de má qualidade” afirma Donato que deu a dica, “as chapas que testamos e utilizamos são de três milímetros. Diversos veículos chegam aqui com chapas de apenas um milímetro, é fácil identificar”. Mesmo com o controle do exército ainda há problemas com uso de material de baixa qualidade, inclusive as mantas balísticas que desde novas já mostram quando não são de boa procedência.

É bom conferir também outros cuidados importantes que demonstram a preocupação da empresa, como a aplicação de um sistema que trava as portas logo após a partida no motor, pois os sistemas originais só travam após atingir determinada velocidade, o que não acontece, por exemplo até a saida de uma garagem, onde o motorista poderá ser abordado.

O controle
A qualidade do serviço começa na escolha dos materiais. Todos os materiais são controlados e fiscalizados pelo Exército Brasileiro, e todas as empresas que realizam transações comerciais com veículos blindados, até as locadoras, devem ter o CR (Certificado de Registro) junto ao exército. Os fabricantes dos materiais devem submetê-los a testes ma Ilha da Marambaia, onde está localizado o Comando Geral dos Fuzileiros Navais, que irá fornecer um Relatório Técnico Experimental conhecido como ReTex, este é um item básico que deve ser emitido junto ao termo de responsabilidade.

O controle feito pelo exército também tem o intuito de controlar quem irá utilizar essa proteção, por isso os fabricantes devem informar quanto de material foi produzido e para quem foi vendido, e as empresas blindadoras devem informar quantos carros foram blindados e em qual o nível, assim como para quem está sendo efetuado o serviço. Junto aos documentos de praxe, como RG, CPF e etc., também precisam ser enviadas certidões negativas criminais junto a Justiça Federal, Estadual e Militar.

Se pertencer a uma empresa, é necessária Certidão de Antecedentes dos distribuidores da Justiça Federal, Estadual e Militar de cada um dos sócios administradores ou gerentes. Esses documentos são enviados a região militar onde a blindadora está registrada. O departamento de trânsito estadual também deve ser informado de que o veículo agora é blindado.

Fonte: Oficina Brasil

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